Vacinas Contra Patógenos Respiratórios

CDRA • 13 de maio de 2025

As vacinas contra patógenos respiratórios representam uma das estratégias mais eficazes de prevenção de doenças infecciosas que acometem o trato respiratório, principalmente em grupos vulneráveis como crianças, idosos e pessoas com comorbidades. Dentre essas vacinas, destacam-se as destinadas à prevenção da gripe (influenza), das infecções pneumocócicas e da COVID-19, além da coqueluche e da tuberculose.


Vacinas contra Influenza


O vírus da influenza causa surtos sazonais anuais e tem potencial pandêmico, sendo responsável por milhões de casos e milhares de mortes no mundo a cada ano. A vacinação anual é recomendada devido à alta variabilidade genética do vírus. As vacinas contra influenza são divididas em dois principais tipos:


  1. Vacina Trivalente (TIV): contém três cepas do vírus – duas do tipo A (H1N1 e H3N2) e uma do tipo B (de um dos dois principais linhagens: Victoria ou Yamagata).
  2. Vacina Quadrivalente (QIV): contém as mesmas três cepas da TIV, além de uma cepa adicional do tipo B, proporcionando proteção ampliada.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (WHO, 2023), a escolha das cepas virais é feita semestralmente com base em dados de vigilância global, garantindo que as vacinas estejam atualizadas com os vírus circulantes.


Vacinas Pneumocócicas


Streptococcus pneumoniae é responsável por diversas doenças respiratórias, como pneumonia, otite média, sinusite, meningite e sepse. A vacinação contra o pneumococo reduziu significativamente a morbimortalidade, especialmente em crianças menores de cinco anos e adultos acima de 60 anos.

As vacinas pneumocócicas se dividem em dois tipos principais:


  • Vacinas conjugadas (PCV): contêm antígenos de diferentes sorotipos do pneumococo conjugados a uma proteína transportadora, o que induz resposta imune robusta mesmo em lactentes. Exemplos:
  • PCV10 (VPC-10): protege contra 10 sorotipos.
  • PCV13 (VPC-13): protege contra 13 sorotipos.
  • PCV20 (VPC-20): vacina mais recente, aprovada por agências regulatórias como a FDA (EUA) e a Anvisa (Brasil), oferecendo proteção contra 20 sorotipos. Os sete sorotipos adicionais em relação à PCV13 (8, 10A, 11A, 12F, 15B, 22F e 33F) são responsáveis por uma proporção significativa das doenças pneumocócicas invasivas (DPI) em adultos.
  • Vacinas polissacarídicas (PPSV23): incluem 23 sorotipos e são recomendadas especialmente para adultos e idosos com fatores de risco. Diferentemente das conjugadas, não induzem memória imunológica, sendo menos eficazes em crianças pequenas.


A PCV20 representa um avanço significativo ao ampliar a cobertura sorotípica com uma única dose, sendo indicada para imunização de adultos, inclusive os com comorbidades ou imunossuprimidos. Estudos clínicos mostraram que a PCV20 induz resposta imunológica comparável ou superior à PCV13, com boa tolerabilidade (Pfizer, 2022; FDA, 2021).


Vacinas contra COVID-19


As vacinas contra o SARS-CoV-2, causador da COVID-19, foram desenvolvidas em tempo recorde e salvaram milhões de vidas desde 2020. Elas utilizam tecnologias inovadoras, como:


  • Vacinas de mRNA (Pfizer-BioNTech, Moderna): usam RNA mensageiro encapsulado em nanopartículas lipídicas que codificam a proteína spike do vírus.
  • Vacinas de vetor viral (AstraZeneca, Janssen): utilizam adenovírus geneticamente modificados para carregar o gene da proteína spike.
  • Vacinas de subunidade proteica (Novavax): contêm diretamente a proteína viral e adjuvantes para estimular a resposta imune.


Com o surgimento de novas variantes, doses de reforço e vacinas bivalentes ou atualizadas têm sido recomendadas.


Outras vacinas relevantes


  • Vacina DTP (tríplice bacteriana): protege contra difteria, tétano e coqueluche (Bordetella pertussis). A forma acelular (dTpa) é preferida para reforços em adultos e gestantes, devido à menor reatogenicidade.
  • BCG: vacina viva atenuada contra a tuberculose, administrada ao nascer, com eficácia variável na prevenção de formas graves da doença, como meningite tuberculosa e tuberculose miliar.


Considerações Finais


A vacinação contra patógenos respiratórios é uma das intervenções mais efetivas de saúde pública. A introdução da vacina pneumocócica 20-valente amplia o escopo da proteção contra doenças invasivas, enquanto a constante atualização das vacinas contra influenza garante cobertura eficaz contra cepas circulantes. A experiência com a COVID-19 demonstrou o potencial das novas plataformas vacinais, que podem ser utilizadas futuramente contra outros vírus respiratórios.


A adesão às campanhas de vacinação, a vigilância epidemiológica e o acesso equitativo às vacinas são essenciais para o controle contínuo dessas doenças.


Referências:


  1. World Health Organization (WHO). Influenza (Seasonal). 2023. Disponível em: https://www.who.int
  2. Centers for Disease Control and Prevention (CDC). Pneumococcal Disease Vaccination. 2024. Disponível em: https://www.cdc.gov
  3. Food and Drug Administration (FDA). Pfizer-BioNTech’s PCV20 Vaccine Approval. 2021.
  4. Pfizer Inc. Prevnar 20 Clinical Data. 2022.
  5. European Medicines Agency (EMA). COVID-19 vaccines overview. 2023.
  6. Ministério da Saúde (Brasil). Calendário Nacional de Vacinação.


carol

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