Doença Pulmonar Intersticial Associada à Artrite Reumatoide – Diagnóstico, Sintomas e Tratamento

CDRA • 14 de outubro de 2025

A artrite reumatoide é uma doença comum que afeta as articulações, mas também pode atingir os pulmões, causando a chamada doença pulmonar intersticial (DPI). Cerca de 10% a 30% das pessoas com artrite reumatoide podem desenvolver algum problema pulmonar, mas apenas 5% a 10% desses casos terão significância clínica, exigindo atenção e tratamento específico. O risco de complicações pulmonares é maior em quem fuma, tem idade avançada, apresenta atividade intensa da doença, é do sexo masculino, tem títulos elevados de fator reumatoide e anti-CCP, ou possui índice de massa corporal elevado. Os principais sinais de alerta são falta de ar, tosse persistente e cansaço. O diagnóstico é feito com exames como tomografia do tórax e testes de função pulmonar, além de testes de dessaturação. O tratamento depende do tipo e gravidade da doença, podendo incluir medicamentos para controlar a inflamação, imunossupressores e, em casos específicos, antifibróticos, com escolhas específicas baseadas no padrão da doença pulmonar. O acompanhamento regular com o médico é fundamental para ajustar o tratamento e prevenir complicações. Parar de fumar e evitar exposições a poluentes são medidas importantes para proteger os pulmões.


O que você precisa saber


  • Fique atento a sintomas como falta de ar, tosse persistente e cansaço, especialmente se você tem artrite reumatoide.
  • Informe seu médico sobre qualquer sintoma respiratório novo ou diferente.
  • O tratamento é individualizado e pode envolver diferentes medicamentos; siga sempre as orientações da equipe de saúde, que considerará o padrão da sua doença pulmonar.
  • Parar de fumar e evitar poluentes ajudam a proteger seus pulmões.


Doença pulmonar intersticial associada à artrite reumatoide: entenda o que é e como cuidar



A artrite reumatoide (AR) é uma doença autoimune que atinge principalmente as articulações, mas pode afetar outros órgãos, como os pulmões. Quando isso acontece, chamamos de doença pulmonar intersticial (DPI) associada à artrite reumatoide. Embora nem todos os pacientes com AR desenvolvam problemas pulmonares, é importante conhecer os sinais, fatores de risco e opções de tratamento.


Prevalência e importância


A AR é relativamente comum, afetando entre 0,5% e 1% da população. Desses, cerca de 10% a 30% podem apresentar algum tipo de doença pulmonar, mas apenas 5% a 10% desses casos terão significância clínica, exigindo tratamento específico. A incidência de DPI clinicamente significativa em pacientes com AR é de aproximadamente 4 a cada mil casos. A presença de DPI pode aumentar o risco de complicações e mortalidade, sendo 2 a 10 vezes maior do que em pacientes com AR sem DPI, especialmente em pessoas com outros fatores de risco, como tabagismo. O prognóstico da DPI associada à AR é claramente pior em comparação com pacientes sem envolvimento pulmonar.


Sinais de alerta


Os principais sintomas que podem indicar o envolvimento dos pulmões são:


  • Falta de ar ao fazer esforços ou mesmo em repouso
  • Tosse seca e persistente
  • Cansaço fora do habitual


Se você tem artrite reumatoide e percebe algum desses sintomas, converse com seu médico. O diagnóstico precoce faz diferença no controle da doença.


Fatores de risco


Alguns fatores aumentam a chance de desenvolver DPI associada à AR:


  • Tabagismo (fumar ou ter fumado)
  • Idade mais avançada
  • Atividade intensa da artrite reumatoide 
  • Sexo masculino
  • Títulos elevados de fator reumatoide e anti-CCP
  • Índice de massa corporal elevado


Diagnóstico


O diagnóstico é feito por meio de exames como:


  • Tomografia computadorizada do tórax
  • Testes de função pulmonar, que avaliam a capacidade respiratória.
  • Teste de dessaturação (como o teste do degrau), que pode ser realizado em cada consulta.
  • Exames laboratoriais para avaliar a atividade da doença.


O rastreamento é recomendado. Embora um artigo de 2025 sugira rastreamento para todos os pacientes com doenças do tecido conjuntivo, baseada em sintomas e fatores de risco.


Tratamento


O tratamento é individualizado e depende do tipo e gravidade da doença pulmonar, bem como da presença de atividade articular. A primeira medida é evitar agressões pulmonares, como tabagismo, refluxo, poluentes e outras exposições.


As opções de tratamento incluem:


  • Corticosteroides
  • Imunossupressores clássicos
  • Metotrexato
  • Medicamentos biológicos
  • Antifibróticos

 

Acompanhamento


O acompanhamento regular é fundamental. O médico pode solicitar exames periódicos, como tomografia e testes de função pulmonar, para monitorar a evolução da doença e ajustar o tratamento.


Novas perspectivas


A medicina de precisão, que leva em conta características individuais como exames laboratoriais e até o tamanho dos telômeros (estruturas dos cromossomos), está ajudando a definir melhor o tratamento para cada paciente.


Dicas para o dia a dia


  • Não ignore sintomas respiratórios, mesmo que leves.
  • Mantenha o acompanhamento regular com reumatologista e pneumologista.
  • Siga corretamente as orientações sobre uso de medicamentos.
  • Adote hábitos saudáveis: não fume, pratique atividade física conforme orientação e evite exposição a poluentes.


Perguntas para levar ao médico


  • Preciso fazer exames para avaliar meus pulmões?
  • Como posso saber se meus sintomas estão relacionados à artrite reumatoide ou à doença pulmonar?
  • Qual o melhor tratamento para o meu caso?
  • Existem medidas que posso adotar para proteger meus pulmões?


Conclusão


A doença pulmonar intersticial associada à artrite reumatoide é uma condição que merece atenção, mas pode ser controlada com diagnóstico precoce, tratamento adequado e acompanhamento regular. O trabalho conjunto entre paciente e equipe de saúde é fundamental para garantir qualidade de vida e prevenir complicações.


Se tiver dúvidas ou sintomas, procure seu médico. Cuidar dos pulmões é parte importante do tratamento da artrite reumatoide.


Alexandre de Melo Kawassaki

Doutor em Pneumologia pela USP

Coordenador da Pós-Graduação em Pneumologia do Hospital Israelita Albert Einstein

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