Vaping: Afinal, o que se sabe até agora sobre os malefícios?
Nos últimos anos, o uso de cigarro eletrônico — idealizado como alternativa “mais segura” ao cigarro convencional — virou moda entre jovens e adultos. Apesar disso, a maior parte da comunidade científica concorda que nenhum produto que envolve inalação de substâncias químicas é realmente seguro para a saúde, e o chamado vaping traz riscos reais e crescentes, ainda que diferentes dos do tabagismo clássico.
O que é vaping e por que ele não é tão seguro quanto parece?
Primeiro ponto importante: a maioria dos dispositivos de vaping contém nicotina, uma substância altamente viciante que afeta o cérebro — especialmente em adolescentes e jovens, cuja maturação cerebral continua até cerca de 25 anos de idade. A nicotina também é tóxica para gestantes e seus fetos. Mesmo que alguns líquidos aleguem não ter nicotina, análises encontraram a substância em produtos rotulados como “zero nicotina”, o que aumenta o risco de dependência.
Nicotina e dependência: riscos para jovens e gestantes
O vapor inalado pelos vapers não é “água inofensiva”: ele contém uma mistura de partículas ultrafinas, metais pesados, compostos orgânicos voláteis e substâncias potencialmente cancerígenas como formaldeído e acroleína. Essas partículas penetram profundamente nos pulmões e podem irritar, inflamar e danificar o tecido respiratório ao longo do tempo. Além disso, muitos flavorizantes, seguros para consumo oral, tornam-se tóxicos quando aquecidos e inalados — um exemplo clássico é a diacetila, associada a uma doença pulmonar grave chamada bronquiolite obliterante.
Substâncias tóxicas presentes no vapor do cigarro eletrônico
Estudos recentes também mostram sinais de disfunção respiratória e cardiovascular em usuários regulares de vape. Pesquisas indicam que o vaping está ligado a sintomas semelhantes aos de bronquite crônica, redução da capacidade pulmonar e inflamação das vias aéreas. Este quadro é preocupante porque uma inflamação persistente pode prejudicar a defesa natural dos pulmões e facilitar infecções.
Impactos do vaping na saúde pulmonar
Os efeitos sobre o coração incluem elevação da pressão arterial e aumento do risco de rigidez arterial, sinais associados a doenças cardiovasculares ao longo do tempo.
Efeitos cardiovasculares do uso de vape
Há também estudos observacionais sugerindo que pessoas que passaram a usar vape após parar de fumar podem ter maior risco de desenvolver câncer de pulmão comparado a quem não usa nenhum produto inalado, embora estes dados ainda precisem ser confirmados por pesquisas de longo prazo. E há fortes evidências de que o uso de vape entre adolescentes está associado a uma maior probabilidade de começar a fumar cigarros convencionais no futuro.
Vape pode aumentar o risco de câncer e incentivar o tabagismo?
Outro ponto importante é que o mercado de e-cigarros ainda é mal regulado em muitos países. A maioria dos produtos vendidos não passou por revisão detalhada de ingredientes ou processos de fabricação, o que significa que usuários muitas vezes não sabem exatamente o que estão inalando — incluindo substâncias potencialmente tóxicas ou contaminantes.
Falta de regulamentação e riscos desconhecidos
O vaping tem sido ligado a casos graves de lesão pulmonar aguda conhecidos como EVALI (e-cigarette or vaping product use-associated lung injury), que causaram hospitalizações e até mortes. Além disso, relatos de caso raros destacam pessoas jovens sofrendo de dano pulmonar permanente ou complicações cardiovasculares depois de anos de uso.
EVALI e lesões pulmonares graves associadas ao vape
Resumindo, embora o vaping possa expor menos toxinas do que o tabaco queimado, isso não significa que seja “seguro”. Os riscos à saúde incluem dependência de nicotina, lesões e inflamação pulmonar, potencial aumento do risco de doenças cardiovasculares e possivelmente câncer a longo prazo, além da chance de servir como porta de entrada para o tabagismo em jovens.
O que isso significa na prática?
Se você nunca fumou ou usou nicotina, evitar começar a usar vape é a melhor escolha.
Se você já usa, o ideal é conversar com um médico ou pneumologista para avaliação da função pulmonar e apoio para interromper o uso.
Pais e educadores devem saber que jovens que utilizam esses dispositivos têm maior chance de desenvolver dependência e enfrentar problemas respiratórios e de saúde mental.
A melhor forma de proteger seus pulmões e seu coração é evitar a exposição contínua a qualquer substância tóxica inalável — inclusive o vaping.
Responsável Técnico:
Dra. Carolina Salim G. Freitas
CRM 131517











