A era das terapias biológicas também chegou para a DPOC

CDRA • 28 de maio de 2026

A Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica, mais conhecida como DPOC, é uma doença respiratória que afeta milhões de pessoas no mundo inteiro. Ela está frequentemente relacionada ao tabagismo, mas também pode ocorrer em pessoas expostas à fumaça de lenha, poluição e outras substâncias irritantes ao longo da vida. Tosse crônica, falta de ar, chiado e cansaço para realizar atividades simples fazem parte da rotina de muitos pacientes.


Tratamentos tradicionais da DPOC


Durante muitos anos, o tratamento da DPOC ficou baseado principalmente em broncodilatadores inalatórios, fisioterapia respiratória, reabilitação pulmonar e, em alguns casos, corticoides inalados. Esses tratamentos continuam sendo fundamentais e melhoraram muito o controle da doença. Porém, uma parcela dos pacientes continua apresentando exacerbações frequentes — crises de piora da falta de ar, tosse e secreção — que podem levar a internações e piora progressiva da função pulmonar.


Terapias biológicas: uma nova perspectiva para a DPOC


Nos últimos anos, entretanto, surgiu uma nova perspectiva muito animadora: a chegada das terapias biológicas para alguns pacientes com DPOC.


As terapias biológicas já haviam revolucionado o tratamento de doenças como asma grave, dermatite atópica e rinossinusite com pólipos nasais. Agora, estudos recentes mostram que determinados pacientes com DPOC também podem se beneficiar desses tratamentos modernos.


Como funcionam os medicamentos biológicos?


Os medicamentos biológicos são anticorpos monoclonais, desenvolvidos para bloquear moléculas específicas envolvidas na inflamação pulmonar. Diferente dos tratamentos tradicionais, eles atuam de forma mais direcionada e personalizada, tentando controlar mecanismos específicos da doença.


Inflamação tipo 2 e eosinófilos na DPOC


Hoje sabemos que a DPOC não é igual para todos os pacientes. Alguns apresentam um padrão inflamatório chamado “inflamação tipo 2”, caracterizado principalmente pelo aumento de eosinófilos no sangue, células inflamatórias que também podem estar associadas à asma. Esses pacientes parecem responder melhor às novas terapias biológicas.


Principais terapias biológicas para DPOC


Um dos principais avanços recentes foi a aprovação do dupilumabe para pacientes com DPOC eosinofílica em alguns países. O medicamento atua bloqueando vias inflamatórias importantes relacionadas às interleucinas 4 e 13, substâncias envolvidas na inflamação das vias aéreas. Estudos mostraram redução significativa nas exacerbações, melhora da função pulmonar e melhora da qualidade de vida em pacientes selecionados. Da mesma, mais recentemente tivemos a aprovação do mepolizumabe, um biológico que bloqueia a interleucina 5, também para pacientes com DPOC eosinofílica. 


Além do dupilumabe, outras medicações estão sendo estudadas para DPOC, como, benralizumabe, tezepelumabe e tozorakimabe. Alguns desses medicamentos já apresentam resultados promissores em pesquisas clínicas, principalmente em pacientes com eosinófilos elevados e crises frequentes apesar do tratamento inalatório adequado.


Uma nova era no tratamento da DPOC


Esses avanços representam uma mudança importante na forma de enxergar a DPOC. Durante muito tempo, acreditava-se que a doença tinha poucas possibilidades de tratamento além das medicações tradicionais. Hoje, começa-se a entender que diferentes perfis de pacientes podem necessitar de abordagens diferentes e mais individualizadas.


Outro ponto importante é a possibilidade de reduzir exacerbações. Cada crise de DPOC pode deixar sequelas no pulmão, acelerar a perda de função respiratória e aumentar o risco de hospitalizações e mortalidade. Portanto, tratamentos capazes de diminuir essas crises podem ter impacto muito relevante na evolução da doença.


Além disso, muitos pacientes convivem com limitações importantes nas atividades do dia a dia. Caminhar, subir escadas, dormir bem ou até tomar banho pode se tornar difícil em fases mais avançadas da doença. Qualquer tratamento que consiga melhorar sintomas e reduzir crises pode trazer enorme impacto na qualidade de vida.


Quem pode receber terapias biológicas para DPOC?


É importante destacar que as terapias biológicas não são indicadas para todos os pacientes com DPOC. A escolha depende de avaliação médica especializada, exames laboratoriais e características clínicas específicas. Esses tratamentos costumam ser reservados para pacientes com doença mais grave, exacerbações frequentes e sinais de inflamação eosinofílica.


O futuro das terapias biológicas na DPOC



Mesmo assim, o cenário atual traz esperança. A chegada das terapias biológicas inaugura uma nova era no tratamento da DPOC, aproximando a medicina respiratória de uma abordagem cada vez mais personalizada. Para muitos pacientes, isso significa a possibilidade de viver com menos crises, mais autonomia e melhor qualidade de vida.


Dr Rodrigo Athanazio

CRM SP 122658

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