Novos avanços com terapia biológica em asma grave

CDRA • 21 de maio de 2026

A asma é uma doença respiratória muito comum, mas uma pequena parcela dos pacientes apresenta a chamada asma grave, uma forma mais difícil de controlar mesmo com o uso correto de bombinhas, corticoides inalados e outros medicamentos. Esses pacientes podem ter crises frequentes, necessidade de corticoide oral repetidas vezes, internações e impacto importante na qualidade de vida. Felizmente, nos últimos anos houve uma verdadeira revolução no tratamento da asma grave com o desenvolvimento das chamadas terapias biológicas.


O que são terapias biológicas para asma grave?


Os medicamentos biológicos são tratamentos modernos feitos a partir de anticorpos monoclonais, desenvolvidos para agir de forma muito específica em mecanismos inflamatórios da asma. Diferente dos corticoides, que atuam de maneira ampla no organismo, os biológicos funcionam como tratamentos “de precisão”, bloqueando moléculas específicas relacionadas à inflamação das vias aéreas.


Atualmente, existem diferentes tipos de terapias biológicas aprovadas para asma grave. Algumas são indicadas para pacientes com asma alérgica, outras para pacientes com aumento de eosinófilos (um tipo de célula inflamatória presente no sangue), e algumas têm ação mais ampla sobre a inflamação tipo 2 da asma.


Entre os medicamentos já disponíveis estão o omalizumabe, mepolizumabe, benralizumabe, dupilumabe e tezepelumabe. Esses tratamentos ajudaram a reduzir significativamente o número de crises, internações e necessidade de corticoide oral em milhares de pacientes ao redor do mundo. Muitos pacientes que antes tinham limitações importantes para trabalhar, praticar exercícios ou até dormir adequadamente passaram a ter uma vida muito mais próxima do normal.


Medicina personalizada na asma grave


Outro grande avanço recente é o entendimento de que a escolha do biológico deve ser individualizada. Hoje sabemos que características como alergia, eosinófilos elevados, pólipos nasais, dermatite atópica e exames laboratoriais ajudam os médicos a definir qual medicamento pode funcionar melhor para cada paciente.


Benefícios das terapias biológicas além do controle das crises


Além da melhora clínica, os estudos mostram benefícios importantes na qualidade de vida e até na preservação da função pulmonar ao longo do tempo. Muitos pacientes conseguem reduzir ou até suspender o uso prolongado de corticoide oral, algo muito importante devido aos potenciais efeitos colaterais dessas medicações, como osteoporose, diabetes, hipertensão e ganho de peso.


Depemokimabe: nova promessa no tratamento da asma grave


Entre as novidades mais aguardadas está o depemokimabe, um novo medicamento biológico recentemente aprovado em alguns países para asma grave eosinofílica, incluindo o Brasil. O grande diferencial desse tratamento é sua longa duração de ação: ele pode ser administrado apenas duas vezes por ano, ou seja, uma aplicação a cada 6 meses. 


Como o depemokimabe funciona?


O depemokimabe atua bloqueando a interleucina-5 (IL-5), uma molécula importante na ativação dos eosinófilos, células inflamatórias frequentemente associadas à asma grave. Estudos clínicos mostraram redução importante nas exacerbações e hospitalizações, além de potencial melhora da adesão ao tratamento devido ao intervalo muito maior entre as aplicações. 


Esse avanço é especialmente importante porque muitos pacientes têm dificuldade em manter tratamentos com aplicações mensais ou a cada poucas semanas. Um medicamento com administração semestral pode trazer mais praticidade, conforto e aderência ao tratamento.


Quem deve usar terapias biológicas?


Apesar dos resultados muito positivos, é importante lembrar que nem todo paciente com asma precisa de terapia biológica. Esses tratamentos são reservados principalmente para pacientes com asma grave não controlada, mesmo com tratamento inalatório otimizado e acompanhamento especializado. A avaliação deve ser feita por um pneumologista experiente em asma grave.


O futuro do tratamento da asma grave



A expectativa para os próximos anos é ainda mais animadora. Novos medicamentos estão em desenvolvimento e a tendência é que a medicina caminhe cada vez mais para tratamentos personalizados, buscando controlar a doença de forma mais eficaz, segura e com menos impacto na vida dos pacientes.


Hoje, graças às terapias biológicas, muitos pacientes com asma grave passaram a enxergar a possibilidade real de viver com menos crises, menos internações e muito mais qualidade de vida.

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